Entrevista: Monica Rizzolli Fala Sobre a Exposição Queda

Entrevista para Mariana Mantovanini | +SOMA | 11-22-10
 


Até 4 de dezembro a mostra individual de Monica Rizzolli, intitulada Queda, ocupa a recém-inaugurada Central Galeria de Arte Contemporânea. Nesta exposição, a jovem artista apresenta 11 telas em tinta acrílica e vinílica com uma paleta de cores rica em azuis, verdes e roxos. É a primeira vez que Monica se arrisca nas pinturas e tem curtido o novo momento. Na entrevista abaixo, ela fala um pouco sobre processo criativo e sobre a temática da mostra.

Eu li que vc é super organizada com horários e gosta de ter uma rotina para trabalhar, muito diferente da maioria dos artistas.
Trabalhar todos os dias facilita bastante as coisas! Você tem tempo para experimentar, pesquisar e até mesmo realizar várias vezes o mesmo trabalho até chegar em um resultado satisfatório. As ideias desenvolvem-se naturalmente quando você está trabalhando constantemente e a técnica melhora com a rotina. Se você fica um longo período sem exercitar as mãos elas ficam duras e fica impossível realizar um bom trabalho.

Você sempre trabalha com séries. Como escolhe os temas?
Eu diria que são os temas que nos escolhem. Um dia, sem querer, você olha para algo ordinário e aquilo faz muito sentido. Como ou porquê isso acontece? Eu nao sei dizer, mas basta estar atento para a vida e a vida encarrega-se de nos mostrar o que e importante.

Na exposição Queda o tema é água. O que te levou a chegar nesse assunto?
Um dia eu estava muito triste e chorando muito. Sentia como se eu estivesse me afogando dentro das minhas próprias lágrimas. Foi então que veio essa imagem de uma garota caindo dentro da água. Era com se ela estivesse submersa em suas emoções e lutando para sair daquele descontrole. Foi daí que surgiu a idea da queda como uma espécie de mergulho interior. Depois a ideia amadureceu e ganhou outros significados.

Nesta mostra, você usa como suporte as telas. Como foi a transição do desenho para a pintura?
Nos últimos desenhos que eu executei esse ano haviam muitas áreas de cor e muitas sobreposições de padrões. Chegou um momento em que o papel já não dava mais conta, eu precisava de um suporte mais resistente. Então comecei a pintar, não foi simples, e ainda tenho muito para aprimorar.

E a escolha mais monocromática das cores?
Acho que isso tem a ver com duas coisas: a primeira é que eu sempre me encantei com a quantidade de tons que a água possui. Você olha um pouco para a água e vê todos os azuis, verdes, todas as cores refletidas, está tudo lá, mas de longe parece uma cor só, uma coisa só. O segundo motivo é que quando você está nesse "estado de queda" e tudo fica "embassado" para você é como se a vida perdesse a definição e tudo fica meio monocromático, com a mesma aparência.

Eu vi um vídeo (confira abaixo) em que você cria uma das telas para a exposição e estava usando um fone de ouvido o tempo todo. O que você estava escutando?
No caso do vídeo eu estava ouvindo Neubauten, Nina Simone, MIA, o disco "Mar de Shopia" da Maria Bethânia e um cd de musica folk chinesa que eu comprei em Shanghai depois de uma hora de negociaõoes em mímica!

Qual é o tempo que você leva para finalizar um trabalho?
Eu nunca termino um trabalho no mesmo dia. O video por exemplo mostra um período de aproximadamente dez dias. Demora para executar um trabalho detalhado como eu gosto! E é lógico que a música ajura música a encarar esses longos períodos de trabalho.

Por Marina Mantovanini

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